Eleições e a Previdência, sempre juntos
Não é curioso que a cada quatro anos assuntos relacionados à previdência e aposentadoria andam sempre juntos? Não é ainda mais curioso que o ano em que isso acontece é sempre ano de eleições? Será apenas coincidência? Não sei não, nunca fui muito de acreditar nesse tipo de coisa. Acredito mais na vontade política que aflora quando se aproxima a escolha do novo presidente, o que mais uma vez vem se confirmando, e o assunto vem tomando conta dos noticiários em todos os meios de comunicação.
Nesse ano os companheiros políticos decidiram ser ainda mais agressivos, e estão atacando dois pontos cruciais desse assunto de uma só vez: o fim do fator previdenciário e o reajuste de 7,7% sobre os benefícios. A princípio ambos devem ser tratados como pontos pacíficos e ser aprovados, uma vez que beneficiam toda a população, mas nem tudo é tão simples assim. Há questões de ordem legais, financeiras e, porque não dizer, práticas envolvidas aí que devem ser levadas em consideração. Primeiro vamos entender melhor os movimentos que estão sendo propostos, para avaliar o real impacto de cada um deles:
1. O reajuste de 7,7% sobre os benefícios, a princípio soa como uma conta simples de somar esse percentual a esse benefício e pronto. Na realidade, esse reajuste está sendo proposto apenas para quem recebe valor superior a um salário mínimo, ou seja, apenas um terço do total. Além disso, o reajuste será feito com base no valor do benefício que era recebido antes do reajuste de 6% que ocorreu há poucos meses. Portanto, o reajuste real é na cada de pouco mais de 1%, e levando-se em consideração o aumento sobre o total dos gastos da previdência é de cerca de 0,3%, talvez um pouco menos. Esse impacto pode muito bem ser absorvido com o aumento da arrecadação provocado pela elevação no salário médio dos trabalhadores e o aumento no volume de empregos com carteira assinada, que geram uma maior contribuição para a previdência;
2. Já o fim do fator previdenciário, proposto para vigorar a partir de 2011, sofre logo de início uma barreira legal, pois a constituição prevê que qualquer projeto de lei que contenha aumento de gastos deve estar atrelado a um aumento na receita suficiente para absorver seu impacto. Além disso, há o impasse devido ao aumento no interesse pela aposentadoria precoce, pois o valor do benefício será maior que o pago atualmente, e atrairá cada vez mais pessoas tão logo se cumpra o período de contribuição. Esse movimento causa um terceiro impacto, desta vez diretamente no caixa da instituição, uma vez que o aumento no volume de aposentadorias aliado ao valor mais elevado pago aos aposentados gera uma elevação nos gastos estimado em R$ 17 bilhões nos próximos quatro anos, e a princípio não há uma nova fonte de receita ou redução de gastos que possa compensá-lo.
Em ambos os casos, governo e oposição estão preocupados é com o valor da fatura, e como essa conta será paga. Sem pensar muito, há duas possibilidades que eu vejo como sendo de efeito rápido e benéfico para a economia como um todo. Uma delas é o enxugamento da máquina pública, que no último governo quase dobrou, embora não tenha se tornado mais eficiente, porém acredito que não seja uma das idéias mais populares entre os políticos. Outra medida, que também acredito não ser das mais bem vistas, é a reversão da última alta na taxa SELIC, que elevou os juros básicos em 0,75%. Como é a taxa referencial da dívida pública, o impacto dessa elevação no custo total da dívida, apenas para o ano de 2011, é de R$ 17 bilhões, ou seja, o valor necessário para cobrir a elevação provocada pelo fim do fator previdenciário pelos próximos quatro anos. Ok, esse aumento da SELIC foi provocado pelo risco de inflação, que vem se tornando a cada dia mais real, mas que também pode ser contido de outras formas, como por exemplo, com o aumento do compulsório bancário, que restringe o dinheiro em circulação e, consequentemente, a oferta de crédito no mercado.
Enfim, vamos aguardar o desenrolar dessa história, mas posso garantir que ainda vamos ver um grande espetáculo sobre o assunto, e no final das contas o assunto acabará virando apenas mais um assunto a ser discutido e a motivar trocas de acusações no debate eleitoral, e no final nada mudará, ou as medidas serão aprovadas e ambos os lados tentarão ganhar o mérito da aprovação e o resultado será mais um aumento na carga tributária que teremos que pagar. E não temos do que reclamar, afinal se já trabalhamos quase meio ano para pagar impostos, o que é trabalharmos mais uns 10 ou 15 dias para isso?
Ano novo, velhos problemas… novas soluções. Sim, ainda há esperança!
Depois de um longo período de férias, finalmente estou de volta. Nesse período que fiquei ausente, sei que muita coisa aconteceu, muitos escândalos, brigas, disputas políticas que deixam o povo em segundo plano... muitas tragédias como a do terremoto no Haiti, os desastres provocados pelas chuvas em diversos estados, deslizamentos de terra em São Paulo, Rio de Janeiro. Todas essas coisas são muito importantes de serem faladas e comentadas, afetam as nossas vidas, nos emocionam, mas eu não queria começar o ano já falando de tragédias, queria que esse ano começasse diferente, com algo positivo, que nos deixasse com uma ponta de esperança de que as coisas podem ser melhores, sem perder aquele toque de polêmica e controvérsia como tudo o que é tratado aqui.
Então me lembrei desse e-mail, que recebi há alguns meses. Quando o li da primeira vez me identifiquei muito com as idéias do seu protagonista, parecia até mesmo que eu havia participado da concepção daquilo, embora ainda faltassem algumas coisas (coisas que realmente não poderiam existir, pois os fanáticos ativistas dos diretos humanos não deixariam que acontecesse). Cheguei até mesmo a duvidar da autenticidade dessa história, mas fiz uma pesquisa e vi que a matéria foi publicada em diversos jornais nos EUA como um case de sucesso. Aí não tive dúvidas e pensei: "Ainda irei publicar esse texto". O tempo foi passando, várias sujeiras foram aparecendo, mas agora acho que chegou a hora. Início de ano, ano de eleições, e acho que precisamos de pessoas com novas idéias para solucionar nossos velhos problemas.
Como o texto não é meu, vou colocá-lo na íntegra.
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O Brasil precisa de um destes...
ESSE É O CARA
JoeArpaioé o xerife do Condado de Maricopa no Arizona já há bastante tempo e continua sendo re-eleito a cada nova eleição. Nos EUA a segurança é uma questão local, municipal!
Ele criou a 'cadeia-acampamento', que são várias tendas de lona, cercadas por arame farpado e vigiado por guardas como numa prisão normal.
Baixou os custos da refeição para 40 centavos de dólar que os detentos, inclusive, têm de pagar.
Proibiu fumar, não permite a circulação de revistas pornográficas dentro da prisão e nem permite que os detentos pratiquem halterofilismo.
Começou a montar equipes detentos que, acorrentados uns aos outros, (chaingangs), são levados à cidade para prestarem serviços para a comunidade e trabalhar nos projetos do condado.
Para não ser processado por discriminação racial, começou a montar equipes de detentas também, nos mesmos moldes das equipes de detentos.
Cortou a TV a cabo dos detentos, mas quando soube que TV a cabo nas prisões era uma determinação judicial, religou, mas só entra o canal do Tempo e da Disney.
Quando perguntado por que o canal do tempo, respondeu que era para os detentos saberem que temperatura vai enfrentar durante o dia quando estiverem prestando serviço na comunidade, trabalhando nas estradas, construções, etc.
Em 1994, cortou o café, alegando que além do baixo valor nutritivo, estava protegendo os próprios detentose os guardas que já haviam sido atacados com café quente por outros detentos, sem falar na economia aos cofres públicos de quase US$ 100,000.00/ano.
Quando os detentos reclamaram, ele respondeu:
- Isto aqui não é hotel 5 estrelas e se vocês não gostam, comportem-se como homens e não voltem mais.
Distribuiu uma série de vídeos religiosos aos prisioneiros e não permite quaisquer outros tipos de vídeo na prisão.
Perguntado se não teria alguns vídeos com o programa do partido democrata para distribuir aos detentos, respondeu que nem se tivesse, pois provavelmente essa era a causa da maioria dos presos ali estarem.
Com a temperatura batendo recordes a cada semana, uma agência de notícias publicou:
Com a temperatura atingindo 116º F (47º C), em Phoenix no Arizona, mais de 2000detentosna prisão acampamento de maricopa tiveram permissão de tirar o uniforme da prisão e ficar só de shorts, (cor-de-rosa), que os detentos recebem do governo.
Na última quarta feira, centenas de detentos estavam recolhidos às barracas, aonde a temperatura chegou a atingir a marca de 138º F (60º C).
Muitos com toalhas cor de rosa enroladas no pescoço estavam completamente encharcados de suor. Parece que a gente está dentro de um forno, disse James Zanzot que cumpriu pena nessas tendas por um ano.
Joe Arpaio, o xerife durão que inventou a prisão-acampamento, faz com que os detentos usem uniformes cor-de-rosa e não faz questão alguma de parecer simpático.
Diz ele aos detentos:
- Nossos soldados estão no Iraque onde a temperatura atinge 120° F (50° C), vivem em tendas iguais a vocês, e ainda tem de usar fardamento, botinas, carregar todo o equipamento de soldado e, além de tudo, não cometeram crime algum como vocês, portanto calem a boca e parem de reclamar.
Se houvessem mais prisões como essa, talvez o número de criminosos e reincidentes diminuísse consideravelmente.
Criminosos têm de ser punidos pelos crimes que cometeram e não serem tratados a pão-de-ló, tendo do bom e melhor, até serem soltos pra voltar a cometer os mesmos crimes e voltar para a vida na prisão, cheia de regalias e reivindicações.
Muitos cidadãos honestos, cumpridores da lei, e pagadores de impostos não tem, por vezes, as mesmas regalias que esses bandidos têm na prisão.
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Com alguns desses no nosso país, garanto que muitas coisas seriam diferentes.
Um ótimo 2010 para todos, e que esse ano eu possa dar mais boas do que más notícias!
Fico até sem palavras perante célebres frases
Navegando por aí, encontrei uma imagem que resume bem a situação atual do nosso país. Não, não é nada sobre os bons momentos da economia, sobre a evolução do Brasil no mercado internacional, nada disso. Resume, em poucas frases, a situação política e social que nos encontramos... Não vou ficar falando mais, vejam com seus próprios olhos e tirem suas próprias conclusões.

Esta célebre frase foi proferida recentemente pelo próprio ilustríssimo Sr. Presidente Molusco no último dia 10, quando fazia um discurso na cerimônia de assinatura de contratos do programa Minha Casa, Minha Vida do governo federal. Pior de tudo, não bastasse ter falado merda - literalmente - duas vezes, ainda se vangloriou do feito, e fez pouco caso do que a imprensa iria falar no dia seguinte. Vejam:
É o que eu sempre digo, vivemos no país que amamos, temos o líder que escolhemos. Só não adianta reclamar depois.
Vou parar por aqui porque, como não sou presidente da República, não posso sair por aí falando merda e não tem outra forma de descrever o que estamos vendo.
Dinheiro na meia? Isso já é normal… O duro é ouvir besteira de ator americano
Tá bom, dinheiro na meia não é uma coisa normal de se ver nem deve ser ignorado. O que o sr. Arruda e seus comparsas fizeram não tem nem o que falar, quando a gente acha que eles não conseguem se rebaixar mais, eles dão um jeito de nos surpreender. E o pior, ainda fazem uma oração pra proteger o golpe que eles estão dando no povo. Não sei como Deus deve ouvir isso (se é que é para Ele que estão orando), mas ele deve, no mínimo, dar uma gargalhada bem grande de desespero e depois uma vontade louca de cortar os pulsos, mas como Ele é imortal, isso não iria resolver nada. Bom, o que é deles está guardado, como caiu na mídia vão dar um jeito de tirá-lo de cena e ficar sem a mamata por um tempo pra esfriar a história, depois ele volta como o mais votado, igual a tantos outros. Mas, fala sério, o povo merece por eleger governador um ser que poucos anos antes já mostrou seu caráter (ou melhor, a falta dele) como senador.
Mas, na minha opinião, por pior que possa ser isso o que ele fez, não se compara à imagem que temos na mídia internacional. Não sabem do que eu estou falando? Pois vejam o vídeo abaixo e digam se eu não tenho razão.
Acredito que todos já tenham visto, mas acho que uma imagem vale mais do que mil palavras. É isso mesmo, o ator Robin Williams, que até ontem eu considerava um dos melhores atores de humor, falou que trapaceamos para receber os jogos olímpicos de 2016. Está certo, com um governo como o nosso, é de se esperar qualquer coisa, mas falar isso em um dos programas de maior audiência em todo o mundo é muita cara de pau. Uma pessoa dessas não se dá ao menor respeito. Mas também, em se tratando de um ex-viciado em cocaína, do país que mais consome cocaína no mundo, não dá pra esperar nada diferente disso. Eles se acham tão superiores, ainda mais sendo uma celebridade, que acham que podem falar o que querem quando bem entendem que ninguém vai reclamar.
Deixa quieto, os EUA e as suas "celebridades boca aberta" está a cada dia mais decadente, e logo logo precisarão da gente, desse país que só tem prostitutas e cocaína, e te garanto que terão um tratamento bem mais digno do que esse. Só espero que não precisem de mim, pois te garanto que terão o tratamento que eles realmente merecem, e provavelmente não vão gostar nem um pouco. Prefiro os nossos mensaleiros das meias-carteira do que os celebridades-engraçadinhos.
Se o apagão é assunto encerrado, por que só se fala nisso?
Depois de todo o blá blá blá em torno do apagão, o ministro Edson Lobão deu um basta na situação, e disse que era assunto encerrado. Porém, ele mesmo não parou de falar nisso. Mais alguns dias sustentando a tese de que a culpa foi de São Pedro, que a mando dos tucanos jogou um raio sobre as linhas de transmissão, resolveu mudar um pouco o discurso, depois mais um pouco, e mais um pouco, e até agora só conseguiu confundir ainda mais a opinião pública.
O Operador Nacional do Sistema (ONS) assumiu que houve invasão de hacker nos sistemas de Itaipu, mas negou que tenha sido isso que causou o blecaute. Também afirmaram que houve uma falha nas linhas de transmissão horas antes do ocorrido, e ainda assumiram, em nota, que um curto-circuito provocou a queda de energia. Mas, no mesmo comunicado, ressaltou que no momento do apagão a região de Itaberá enfrentava fortes chuvas com ventos e raios. Em meio a todas essas declarações, o ministro Edson Lobão Mau disse que o nosso sistema energético é o melhor do mundo, e que todos - inclusive os países mais desenvolvidos - nos tem como benchmark. Minutos depois, em outro comunicado, afirma que não descarta a possibilidade de aumentar a tarifa energética para que novos investimentos sejam feitos.
Alguém conseguiu entender? A única coisa que eu entendi até agora foi que estão brincando de jogar a opinião pública de um lado para o outro. Na verdade vale tudo, só não vale dizer que o governo fez a obra pela metade, pois fez usina para produzir energia sem ter por onde distribuir. Uma coisa eu posso dizer, se continuar nessa lenga lenga sobre esse assunto, vão conseguir provocar um curto-circuito que vai causar um apagão mental no povo. Ah! Será que não é isso mesmo o que eles querem fazer? Quando alguém descobrir, por favor me avise.
O apagão é nosso! E parece que ainda vai ser por um longo tempo…
Essa semana enfrentamos mais um episódio que demonstra o descaso do governo com o bem estar e a segurança da população: um apagão elétrico que deixou 18 estados às escuras, em alguns casos por até 5 horas. Ok, isso já ocorreu antes, não é novidade deste governo, eu sei, o ocorrido em 2001 foi ainda pior, pois deixou regiões por mais de um dia sem energia. Não é isso que estou questionando, mas sim a forma como a situação foi conduzida. No anterior, a causa foi a falta de capacidade de produção de energia, unida a uma época de muita seca, onde os reservatórios ficaram praticamente secos, e simplesmente não houve como fornecer energia suficiente para suprir as necessidades do mercado. Porém, tão logo o serviço foi restabelecido, o governo foi a público explicar as causas do incidente e anunciou um plano para expansão da capacidade de produção de energia para que não voltasse a ocorrer.
É aí que está o problema. No caso dessa semana, a causa não foi a deficiência na geração da energia, pois há inclusive uma sobra de energia que é exportada para outros países. O problema foi justamente na transmissão e distribuição dessa energia toda para os usuários. Até aí, tudo bem, afinal foram criadas novas usinas, mas não houve o investimento necessário para ampliação da rede de transmissão... ah, não é isso? O senhor ministro Edson Lobão disse que as linhas de transmissão existentes são suficientes? Então não entendi, se temos usinas suficientes e linhas de transmissão suficientes e que funcionam perfeitamente, o que pode ter ocorrido?
Esta é a pergunta que não quer calar. Cada um diz uma coisa diferente, para o ministro das minas e energia (que por sinal não entende muito do assunto) o problema foi um raio que interrompeu a trasmissão, para o presidente de Itaipu (pobre coitado que não sabe nem o que faz lá, afinal era apenas um deputado estadual no PR) não foi culpa dele. Já para os técnicos do INPE, que monitoram todas as manifestações elétricas que ocorrem no país, havia sim uma tempestade com raios, porém que caíram a pelo menos 2 km das linhas de transmissão. E ainda, os professores de engenharia das mais renomadas universidades brasileiras, mesmo que um raio caísse sobre as torres de transmissão, não teria potência suficiente para interromper o fluxo de energia.
Bom, opiniões divergentes podem acontecer, mas pelo menos o governo está trabalhando com a hipótese de raios nas linhas, e o caso está encerrado, como o sr. ministro falou, afinal não há como lutar contra a natureza e não há nada a fazer por que a luz voltou, correto? Aí é que vem o que mais me deixa intrigado, o presidente, sr. Lula Molusco da Silva, diz que o caso não está encerrado pois o ministro está errado. Peraí, o presidente mais uma vez não concorda com seu ministro? Então por que raios que esse ministro está aí, se o que ele fala não vale? Sr. presidente, se o Lobão não sabe o que diz, não seria melhor trocar de ministro?
Bom, como fica esse dito pelo não dito, provavelmente nada será feito. E do jeito que no governo ninguém concorda com ninguém, principalmente o presidente e seus ministros, nós ainda vamos ter muitos apagões de energia, de água, de educação, de saúde, de segurança, apagão aéreo, e por aí vai. E não é porque já vivemos vários desses que vamos deixar de continuá-los tendo. Só haverá um jeito de não termos mais tantos apagões, acabando com o apagão moral que existe nesse país. Espero que não tenhamos mais um apagão político no ano que vem, quando estivermos frente às urnas para escolher nossos governantes pelos próximos anos.
Ai ai ai… Agora fiquei com medo mesmo!
Bom, que estamos cercados de loucos psicopatas, todos sabemos, mas sempre preferimos acreditar que são loucos "do bem", apenas cães que ladram, mas não mordem. Pois é, até hoje pela manhã também pensava assim, mas quando ouvi na rádio, indo para o trabalho, que o presidente Chávez havia dito neste domingo para que população e militares se armem para defender o país contra a vizinha Colômbia, um calafrio passou pelo meu corpo. Foi a primeira vez desde que esse aspirante a Fidel Castro assumiu o poder que tive medo do tamanho da besteira que ele pode fazer. Pensando rapidamente, não vemos aquele país (com tamanho de apenas alguns Estados brasileiros) como uma força que possa provocar algum impacto maior que alguns estalinhos. Mas uma reflexão mais profunda mostra que não é bem por aí.
Voltando um pouco no tempo, há alguns anos, a Venezuela de Chávez assinou acordos militares que aumentou razoavelmente seu poder de fogo. Poucos mais de um ano atrás, tomou de assalto os poços e as refinarias de petróleo, passando a ter em suas mãos o controle de grande parte do recurso utilizado em todo o mundo. Só este último fato já é suficiente para deixar-nos alerta. Imaginem se ele resolve, de uma hora pra outra - como de costume - parar de vender seu petróleo... Isso traria um impacto no mercado mundial (acredito eu) ainda nem calculado, mas de proporções gigantescas, com força para abalar novamente a economia como um todo, ainda mais no momento de fragilidade que vem enfrentando. Só isso já me dá motivo de sobra para preocupação.
Agora, vamos ao outro lado. A Colômbia de Uribe, por sua vez, não possui nenhuma fonte de recursos preciosa como a vizinha, mas resolveu assinar um acordo militar com os EUA, considerado pelo vizinho Chávez "o inimigo do mundo". Não sei dizer se isso foi feito com intenção de provocação ou não, mas gerou uma tensão que - diga-se de passagem - não é nem um pouco necessária nesse momento, em que estamos nos recuperando de uma grave crise econômica, e estamos finalmente ganhando nosso espaço no mundo. Para piorar um pouco a situação, nosso ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim (que já foi um dos poucos políticos brasileiros que eu admirei, mas estou mudando de idéia), declarou que o Brasil fará o papel de mediador entre os dois países para evitar um conflito.
Acho louvável que sejamos um país que prega a paz, e possui certo poder regional para influenciar nas decisões de nossos vizinhos, mas ultimamente é só o que fazemos. Se o presidente de um país resolve surtar e é deposto, nós mediamos as negociações para que tudo se resolva, se ele resolve voltar e retomar o poder, nós o acolhemos em nossa embaixada e deixamos que ele tome-a pra si, e ainda intermediamos sua conversa com o governo interino para garantir sua volta. Se os vizinhos resolvem se desentender, nós ficamos novamente no meio para apaziguar os ânimos. E enquanto isso, a nossa guerra civil, das grandes cidades, que deixam a polícia acuada, tendo a própria população como sua carrasca, é esquecida, e o país vai cada vez mais pegando fogo, virando uma terra sem lei, onde o justo tem que viver preso e escondido, e os bandidos empunham suas armas e seu poder em praça pública.
Uma opinião sincera de um brasileiro que quer ver seu país realmente inserido no cenário mundial, de forma consistente e como um exemplo de democracia REAL. Vamos primeiro arrumar a nossa casa, limpar a nossa sujeira, tapar os nossos buracos e vencer a nossa guerra, pra depois nos metermos na casa dos outros.
Primeira modalidade olímpica confirmada para 2016: Tiro ao Alvo
Na realidade, pensei em escrever tiro ao pato, mas acho que soaria mal. O problema é que o que vem ocorrendo no Rio de Janeiro - cidade-sede dos jogos olímpicos de 2016 - é exatamente isso, a polícia está na posição de patos e os traficantes de caçadores. Sempre defendi a tese de que o Brasil vive um clima de constante tensão civil, com conflitos localizados e esporádicos. Nas grandes cidades, os conflitos são constantes, mas em muitos casos ocorrem fora do centro, nas periferias, não despertam o interesse da mídia e acabam não sendo percebidos por grande parte da população.
Infelizmente, no Rio, a situação é bem diferente. Sua geografia composta por uma faixa estreita de planície, margeada pelo oceano e cercada por uma cadeia de montanhas, fez com que a periferia fosse de encontro ao centro, e os constantes conflitos passaram a ser problemas de todos, independentemente de onde estejam. Há muito digo que a situação estava fora de controle, com os bandidos tomando o lugar que deveria ser da polícia, e aplicando suas próprias leis. Mas não imaginava que chegaria a ver o que ocorreu na última semana: traficantes derrubando um helicóptero da polícia em um confronto. Isso é coisa que só se ouve falar em guerras, e se vê em filmes. No momento em que foi noticiado, tive plena certeza de que a cidade passa por uma guerra civil. A situação fugiu do controle já há alguns anos, com as milícias exercendo as funções de polícia, os traficantes agindo como o Estado, "escrevendo" e fazendo cumprir suas próprias leis, gerando sua própria economia com o comércio paralelo (drogas, armas, gás, tv a cabo, etc.), e o pior de tudo, ganhando a simpatia da população. Não é raro vermos cenas de revolta contra a polícia, mesmo em ações bem sucedidas, com prisão ou morte de bandidos.
Na situação em que se encontra, acredito que a única solução possível para a cidade que pretende ser sede para um evento da envergadura dos jogos olímpicos seja a intervenção maciça do Estado. Os governos estadual e municipal pouco tem feito para mudar esse quadro, atuando apenas em situações isoladas e casos de grande repercussão na mídia. Nesse caso, uma intervenção federal se faz necessária. O uso da Força Nacional de Segurança ou o próprio exército deveriam ser enviados à cidade para agir massivamente na repreensão e prisão dos bandidos e de quem quer que, de alguma forma, os defenda ou acoberte. Ok, nem a Força Nacional nem o exército estão capacitados para atuar em zonas estreitas e cheias de vítimas inocentes - como é o caso das favelas cariocas - mas há treinamentos que podem ser dados pela polícia e exército de Israel, por exemplo, os mais eficientes nesse tipo de atuação. Dinheiro para isso? Garanto que sai muito menos por pessoa do que os R$ 70 mil que foram gastos com um curso de Coaching de três meses realizado na Austrália por um assessor da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, no último ano. E não é necessário enviar todas as tropas, mas apenas alguns oficiais-chave capazes de multiplicar o conhecimento adquirido com os demais.
Mas, para o presidente Lula, sua obrigação com o Rio de Janeiro já está cumprida, afinal ele conseguiu eleger a cidade para sediar os jogos e, como muito provavelmente não será ele a ter de enfrentar essa situação até 2016 e isso é uma medida de efeitos em longo prazo, que não renderá votos nem a ele nem à d. Dilma, é melhor fazer campanha com dinheiro público vistoriar as obras de transposição do rio São Francisco. Aliás, alguém já tinha visto alguma vez na história do Brasil, um ministro-chefe da Casa Civil vistoriar uma obra pública? Eu, não.
Rio 2016, agora é a nossa vez!
Não tem como não ficar feliz com a escolha do Rio de Janeiro para sediar os jogos olímpicos de 2016. Afinal, é o evento esportivo mais importante do mundo, a maior reunião de pessoas de praticamente todos os países em um clima de confraternização e harmonia, onde a única guerra existente é por medalhas, e as armas são o espírito olímpico e a garra de cada um. Além disso, não podemos nos esquecer dos investimentos que serão feitos no país, as melhorias de infra-estrutura, e todos os outros benefícios que estão por vir. E não posso deixar, claro, de parabenizar o atual governo, pois conseguiram, após três tentativas frustradas, convencer o comitê organizador dos jogos de que estamos realmente preparados para sediar o evento com maestria.
Os vídeos e discursos apresentados foram todos perfeitos, comentados no mundo todo, mas não podemos esquecer que este foi o menor dos problemas. É preciso tornar tudo aquilo realidade. Para isso, é preciso, antes de qualquer coisa, tomar consciência de que estamos muito longe do que prometemos entregar, que temos problemas nos quesitos mais básicos. Antes de estádios, parque aquáticos, vilas olímpicas e tudo o mais, precisamos melhorar muito em segurança, educação e saúde. Sem isso, não serão belos estádios e instalações magníficas e grandiosas que farão a escolha do Rio ter valido à pena.
E não é somente isso, temos que aprender a responder uma pergunta simples: o que fazer com tudo o que for construído quando os jogos acabarem? Diversas cidades pelo mundo que já sediaram os jogos, consideradas muito mais desenvolvidas que o Rio, hoje têm em suas instalações olímpicas grandes obras de concreto que tem história, mas não tem presente - estão sem uso algum. A princípio, o brasileiro tem uma criatividade muito maior do que qualquer outro país do mundo, o que me leva a crer que sempre descobrirão uma maneira de utilizar tudo o que for criado, mas aí me lembro do Pan de 2007 - também no Rio - que tem hoje diversas instalações, como o Parque Aquático Maria Lenk, que está sem uso algum.
Enfim, o trabalho está apenas começando, e ainda temos muito que fazer antes de poder comemorar. Mas tenho certeza, será uma festa completamente diferente de todas as outras, e fará os brasileiros sentirem ainda mais orgulho do seu país. Até lá!
As armas e o futuro das nossas crianças, até quando andarão juntas?
Agora há noite estava assistindo a um daqueles seriados policiais americanos, e naquele episódio o assunto abordado eram as crianças-soldado de Uganda, a forma como são recrutadas, e o impacto que isso causa no desenvolvimento e na vida deles. Na ficção, conseguem prender e julgar um dos generais desses exércitos. Um dos "recrutas" do programa, já adulto, contava a forma como fora aliciado, as promessas que faziam, de que as armas os fariam sentir poderosos, que poderiam fazer o que quisessem com uma arma nas mãos, que seriam invencíveis. Contou também o que ouvia quando dormia, os gritos das pessoas que ele fizera sofrer desde a infância.
Isso me chamou a atenção e me fez pensar. Sempre vemos e ouvimos histórias desse tipo em países da África, países pobres, do outro lado do oceano, e ficamos perplexos, mas ao mesmo tempo pensamos que o problema está longe, que nada podemos fazer, e que por isso o problema não é nosso. Esquecemos que vivemos a mesma situação hoje no Brasil, embaixo do nosso nariz, nas periferias das grandes cidades, nas cidades menores, e até mesmo do nosso lado. Simplesmente fechamos os olhos, fazemos de tudo para não ver. Assim temos uma falsa sensação de segurança, de que nada está acontecendo, e não irá nos atingir.
Tenho um filho pequeno, e isso é para mim um estímulo a mais para tentar achar uma solução para este problema. A principal solução, sem sombra de dúvidas, é a educação, mas aí paramos em uma série de barreiras que atrapalham a evolução. Primeiro, como podemos convencer nossos governantes de que vale muito mais investir em educação - mesmo que leve muito tempo para surtir efeito e não trará resultados que rendam votos na próxima eleição, mas gera um efeito muito mais duradouro e o tornará um herói nacional - ao invés de investir em obras facilmente apresentáveis, que dão uma meia dúzia de votos nas eleições seguintes, e permitem que continuem no poder fazendo o que bem entendem e lucrem muito com isso? E outra, como convencer nossas crianças a estudar, se os pais muitas vezes não estudaram, os jogadores de futebol que são idolatrados, ou as dançarinas que ficam rebolando na TV e cantando músicas sem ritmo ou uma letra que contém apenas palavrões e erros gramaticais ganham muito mais do que qualquer profissional formado, ou ainda se somos governados por um presidente que nem ao menos terminou o ensino fundamental, e se vangloria disso, fazendo de sua ignorância um troféu?
Tudo isso me faz temer pelo futuro do meu filho, e de toda uma geração que está vindo por aí. Perco o sono tentando imaginar como será quando ele tiver seus 15 anos, se poderei dormir tranquilo sabendo que segui o caminho certo na sua educação ou se terei de passar as noites em claro, temendo que ele seja vítima ou agente desses exércitos mirins que se alastram por toda parte.