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30set/090

As armas e o futuro das nossas crianças, até quando andarão juntas?

Agora há noite estava assistindo a um daqueles seriados policiais americanos, e naquele episódio o assunto abordado eram as crianças-soldado de Uganda, a forma como são recrutadas, e o impacto que isso causa no desenvolvimento e na vida deles. Na ficção, conseguem prender e julgar um dos generais desses exércitos. Um dos "recrutas" do programa, já adulto, contava a forma como fora aliciado, as promessas que faziam, de que as armas os fariam sentir poderosos, que poderiam fazer o que quisessem com uma arma nas mãos, que seriam invencíveis. Contou também o que ouvia quando dormia, os gritos das pessoas que ele fizera sofrer desde a infância.

Isso me chamou a atenção e me fez pensar. Sempre vemos e ouvimos histórias desse tipo em países da África, países pobres, do outro lado do oceano, e ficamos perplexos, mas ao mesmo tempo pensamos que o problema está longe, que nada podemos fazer, e que por isso o problema não é nosso. Esquecemos que vivemos a mesma situação hoje no Brasil, embaixo do nosso nariz, nas periferias das grandes cidades, nas cidades menores, e até mesmo do nosso lado. Simplesmente fechamos os olhos, fazemos de tudo para não ver. Assim temos uma falsa sensação de segurança, de que nada está acontecendo, e não irá nos atingir.

Tenho um filho pequeno, e isso é para mim um estímulo a mais para tentar achar uma solução para este problema. A principal solução, sem sombra de dúvidas, é a educação, mas aí paramos em uma série de barreiras que atrapalham a evolução. Primeiro, como podemos convencer nossos governantes de que vale muito mais investir em educação - mesmo que leve muito tempo para surtir efeito e não trará resultados que rendam votos na próxima eleição, mas gera um efeito muito mais duradouro e o tornará um herói nacional - ao invés de investir em obras facilmente apresentáveis, que dão uma meia dúzia de votos nas eleições seguintes, e permitem que continuem no poder fazendo o que bem entendem e lucrem muito com isso? E outra, como convencer nossas crianças a estudar, se os pais muitas vezes não estudaram, os jogadores de futebol que são idolatrados, ou as dançarinas que ficam rebolando na TV e cantando músicas sem ritmo ou uma letra que contém apenas palavrões e erros gramaticais ganham muito mais do que qualquer profissional formado, ou ainda se somos governados por um presidente que nem ao menos terminou o ensino fundamental, e se vangloria disso, fazendo de sua ignorância um troféu?

Tudo isso me faz temer pelo futuro do meu filho, e de toda uma geração que está vindo por aí. Perco o sono tentando imaginar como será quando ele tiver seus 15 anos, se poderei dormir tranquilo sabendo que segui o caminho certo na sua educação ou se terei de passar as noites em claro, temendo que ele seja vítima ou agente desses exércitos mirins que se alastram por toda parte.

Sobre Oliveira

Analista financeiro durante o dia, um maluco que gosta de polemizar durante a noite.
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