Se o apagão é assunto encerrado, por que só se fala nisso?
Depois de todo o blá blá blá em torno do apagão, o ministro Edson Lobão deu um basta na situação, e disse que era assunto encerrado. Porém, ele mesmo não parou de falar nisso. Mais alguns dias sustentando a tese de que a culpa foi de São Pedro, que a mando dos tucanos jogou um raio sobre as linhas de transmissão, resolveu mudar um pouco o discurso, depois mais um pouco, e mais um pouco, e até agora só conseguiu confundir ainda mais a opinião pública.
O Operador Nacional do Sistema (ONS) assumiu que houve invasão de hacker nos sistemas de Itaipu, mas negou que tenha sido isso que causou o blecaute. Também afirmaram que houve uma falha nas linhas de transmissão horas antes do ocorrido, e ainda assumiram, em nota, que um curto-circuito provocou a queda de energia. Mas, no mesmo comunicado, ressaltou que no momento do apagão a região de Itaberá enfrentava fortes chuvas com ventos e raios. Em meio a todas essas declarações, o ministro Edson Lobão Mau disse que o nosso sistema energético é o melhor do mundo, e que todos - inclusive os países mais desenvolvidos - nos tem como benchmark. Minutos depois, em outro comunicado, afirma que não descarta a possibilidade de aumentar a tarifa energética para que novos investimentos sejam feitos.
Alguém conseguiu entender? A única coisa que eu entendi até agora foi que estão brincando de jogar a opinião pública de um lado para o outro. Na verdade vale tudo, só não vale dizer que o governo fez a obra pela metade, pois fez usina para produzir energia sem ter por onde distribuir. Uma coisa eu posso dizer, se continuar nessa lenga lenga sobre esse assunto, vão conseguir provocar um curto-circuito que vai causar um apagão mental no povo. Ah! Será que não é isso mesmo o que eles querem fazer? Quando alguém descobrir, por favor me avise.
O apagão é nosso! E parece que ainda vai ser por um longo tempo…
Essa semana enfrentamos mais um episódio que demonstra o descaso do governo com o bem estar e a segurança da população: um apagão elétrico que deixou 18 estados às escuras, em alguns casos por até 5 horas. Ok, isso já ocorreu antes, não é novidade deste governo, eu sei, o ocorrido em 2001 foi ainda pior, pois deixou regiões por mais de um dia sem energia. Não é isso que estou questionando, mas sim a forma como a situação foi conduzida. No anterior, a causa foi a falta de capacidade de produção de energia, unida a uma época de muita seca, onde os reservatórios ficaram praticamente secos, e simplesmente não houve como fornecer energia suficiente para suprir as necessidades do mercado. Porém, tão logo o serviço foi restabelecido, o governo foi a público explicar as causas do incidente e anunciou um plano para expansão da capacidade de produção de energia para que não voltasse a ocorrer.
É aí que está o problema. No caso dessa semana, a causa não foi a deficiência na geração da energia, pois há inclusive uma sobra de energia que é exportada para outros países. O problema foi justamente na transmissão e distribuição dessa energia toda para os usuários. Até aí, tudo bem, afinal foram criadas novas usinas, mas não houve o investimento necessário para ampliação da rede de transmissão... ah, não é isso? O senhor ministro Edson Lobão disse que as linhas de transmissão existentes são suficientes? Então não entendi, se temos usinas suficientes e linhas de transmissão suficientes e que funcionam perfeitamente, o que pode ter ocorrido?
Esta é a pergunta que não quer calar. Cada um diz uma coisa diferente, para o ministro das minas e energia (que por sinal não entende muito do assunto) o problema foi um raio que interrompeu a trasmissão, para o presidente de Itaipu (pobre coitado que não sabe nem o que faz lá, afinal era apenas um deputado estadual no PR) não foi culpa dele. Já para os técnicos do INPE, que monitoram todas as manifestações elétricas que ocorrem no país, havia sim uma tempestade com raios, porém que caíram a pelo menos 2 km das linhas de transmissão. E ainda, os professores de engenharia das mais renomadas universidades brasileiras, mesmo que um raio caísse sobre as torres de transmissão, não teria potência suficiente para interromper o fluxo de energia.
Bom, opiniões divergentes podem acontecer, mas pelo menos o governo está trabalhando com a hipótese de raios nas linhas, e o caso está encerrado, como o sr. ministro falou, afinal não há como lutar contra a natureza e não há nada a fazer por que a luz voltou, correto? Aí é que vem o que mais me deixa intrigado, o presidente, sr. Lula Molusco da Silva, diz que o caso não está encerrado pois o ministro está errado. Peraí, o presidente mais uma vez não concorda com seu ministro? Então por que raios que esse ministro está aí, se o que ele fala não vale? Sr. presidente, se o Lobão não sabe o que diz, não seria melhor trocar de ministro?
Bom, como fica esse dito pelo não dito, provavelmente nada será feito. E do jeito que no governo ninguém concorda com ninguém, principalmente o presidente e seus ministros, nós ainda vamos ter muitos apagões de energia, de água, de educação, de saúde, de segurança, apagão aéreo, e por aí vai. E não é porque já vivemos vários desses que vamos deixar de continuá-los tendo. Só haverá um jeito de não termos mais tantos apagões, acabando com o apagão moral que existe nesse país. Espero que não tenhamos mais um apagão político no ano que vem, quando estivermos frente às urnas para escolher nossos governantes pelos próximos anos.
Ai ai ai… Agora fiquei com medo mesmo!
Bom, que estamos cercados de loucos psicopatas, todos sabemos, mas sempre preferimos acreditar que são loucos "do bem", apenas cães que ladram, mas não mordem. Pois é, até hoje pela manhã também pensava assim, mas quando ouvi na rádio, indo para o trabalho, que o presidente Chávez havia dito neste domingo para que população e militares se armem para defender o país contra a vizinha Colômbia, um calafrio passou pelo meu corpo. Foi a primeira vez desde que esse aspirante a Fidel Castro assumiu o poder que tive medo do tamanho da besteira que ele pode fazer. Pensando rapidamente, não vemos aquele país (com tamanho de apenas alguns Estados brasileiros) como uma força que possa provocar algum impacto maior que alguns estalinhos. Mas uma reflexão mais profunda mostra que não é bem por aí.
Voltando um pouco no tempo, há alguns anos, a Venezuela de Chávez assinou acordos militares que aumentou razoavelmente seu poder de fogo. Poucos mais de um ano atrás, tomou de assalto os poços e as refinarias de petróleo, passando a ter em suas mãos o controle de grande parte do recurso utilizado em todo o mundo. Só este último fato já é suficiente para deixar-nos alerta. Imaginem se ele resolve, de uma hora pra outra - como de costume - parar de vender seu petróleo... Isso traria um impacto no mercado mundial (acredito eu) ainda nem calculado, mas de proporções gigantescas, com força para abalar novamente a economia como um todo, ainda mais no momento de fragilidade que vem enfrentando. Só isso já me dá motivo de sobra para preocupação.
Agora, vamos ao outro lado. A Colômbia de Uribe, por sua vez, não possui nenhuma fonte de recursos preciosa como a vizinha, mas resolveu assinar um acordo militar com os EUA, considerado pelo vizinho Chávez "o inimigo do mundo". Não sei dizer se isso foi feito com intenção de provocação ou não, mas gerou uma tensão que - diga-se de passagem - não é nem um pouco necessária nesse momento, em que estamos nos recuperando de uma grave crise econômica, e estamos finalmente ganhando nosso espaço no mundo. Para piorar um pouco a situação, nosso ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim (que já foi um dos poucos políticos brasileiros que eu admirei, mas estou mudando de idéia), declarou que o Brasil fará o papel de mediador entre os dois países para evitar um conflito.
Acho louvável que sejamos um país que prega a paz, e possui certo poder regional para influenciar nas decisões de nossos vizinhos, mas ultimamente é só o que fazemos. Se o presidente de um país resolve surtar e é deposto, nós mediamos as negociações para que tudo se resolva, se ele resolve voltar e retomar o poder, nós o acolhemos em nossa embaixada e deixamos que ele tome-a pra si, e ainda intermediamos sua conversa com o governo interino para garantir sua volta. Se os vizinhos resolvem se desentender, nós ficamos novamente no meio para apaziguar os ânimos. E enquanto isso, a nossa guerra civil, das grandes cidades, que deixam a polícia acuada, tendo a própria população como sua carrasca, é esquecida, e o país vai cada vez mais pegando fogo, virando uma terra sem lei, onde o justo tem que viver preso e escondido, e os bandidos empunham suas armas e seu poder em praça pública.
Uma opinião sincera de um brasileiro que quer ver seu país realmente inserido no cenário mundial, de forma consistente e como um exemplo de democracia REAL. Vamos primeiro arrumar a nossa casa, limpar a nossa sujeira, tapar os nossos buracos e vencer a nossa guerra, pra depois nos metermos na casa dos outros.