Meu Ponto de Vista Polêmicas do dia-a-dia? Este é o lugar certo.

10nov/090

Ai ai ai… Agora fiquei com medo mesmo!

Bom, que estamos cercados de loucos psicopatas, todos sabemos, mas sempre preferimos acreditar que são loucos "do bem", apenas cães que ladram, mas não mordem. Pois é, até hoje pela manhã também pensava assim, mas quando ouvi na rádio, indo para o trabalho, que o presidente Chávez havia dito neste domingo para que população e militares se armem para defender o país contra a vizinha Colômbia, um calafrio passou pelo meu corpo. Foi a primeira vez desde que esse aspirante a Fidel Castro assumiu o poder que tive medo do tamanho da besteira que ele pode fazer. Pensando rapidamente, não vemos aquele país (com tamanho de apenas alguns Estados brasileiros) como uma força que possa provocar algum impacto maior que alguns estalinhos. Mas uma reflexão mais profunda mostra que não é bem por aí.

Voltando um pouco no tempo, há alguns anos, a Venezuela de Chávez assinou acordos militares que aumentou razoavelmente seu poder de fogo. Poucos mais de um ano atrás, tomou de assalto os poços e as refinarias de petróleo, passando a ter em suas mãos o controle de grande parte do recurso utilizado em todo o mundo. Só este último fato já é suficiente para deixar-nos alerta. Imaginem se ele resolve, de uma hora pra outra - como de costume - parar de vender seu petróleo... Isso traria um impacto no mercado mundial (acredito eu) ainda nem calculado, mas de proporções gigantescas, com força para abalar novamente a economia como um todo, ainda mais no momento de fragilidade que vem enfrentando. Só isso já me dá motivo de sobra para preocupação.

Agora, vamos ao outro lado. A Colômbia de Uribe, por sua vez, não possui nenhuma fonte de recursos preciosa como a vizinha, mas resolveu assinar um acordo militar com os EUA, considerado pelo vizinho Chávez "o inimigo do mundo". Não sei dizer se isso foi feito com intenção de provocação ou não, mas gerou uma tensão que - diga-se de passagem - não é nem um pouco necessária nesse momento, em que estamos nos recuperando de uma grave crise econômica, e estamos finalmente ganhando nosso espaço no mundo. Para piorar um pouco a situação, nosso ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim (que já foi um dos poucos políticos brasileiros que eu admirei, mas estou mudando de idéia), declarou que o Brasil fará o papel de mediador entre os dois países para evitar um conflito.

Acho louvável que sejamos um país que prega a paz, e possui certo poder regional para influenciar nas decisões de nossos vizinhos, mas ultimamente é só o que fazemos. Se o presidente de um país resolve surtar e é deposto, nós mediamos as negociações para que tudo se resolva, se ele resolve voltar e retomar o poder, nós o acolhemos em nossa embaixada e deixamos que ele tome-a pra si, e ainda intermediamos sua conversa com o governo interino para garantir sua volta. Se os vizinhos resolvem se desentender, nós ficamos novamente no meio para apaziguar os ânimos. E enquanto isso, a nossa guerra civil, das grandes cidades, que deixam a polícia acuada, tendo a própria população como sua carrasca, é esquecida, e o país vai cada vez mais pegando fogo, virando uma terra sem lei, onde o justo tem que viver preso e escondido, e os bandidos empunham suas armas e seu poder em praça pública.

Uma opinião sincera de um brasileiro que quer ver seu país realmente inserido no cenário mundial, de forma consistente e como um exemplo de democracia REAL. Vamos primeiro arrumar a nossa casa, limpar a nossa sujeira, tapar os nossos buracos e vencer a nossa guerra, pra depois nos metermos na casa dos outros.

4out/092

Rio 2016, agora é a nossa vez!

Não tem como não ficar feliz com a escolha do Rio de Janeiro para sediar os jogos olímpicos de 2016. Afinal, é o evento esportivo mais importante do mundo, a maior reunião de pessoas de praticamente todos os países em um clima de confraternização e harmonia, onde a única guerra existente é por medalhas, e as armas são o espírito olímpico e a garra de cada um. Além disso, não podemos nos esquecer dos investimentos que serão feitos no país, as melhorias de infra-estrutura, e todos os outros benefícios que estão por vir. E não posso deixar, claro, de parabenizar o atual governo, pois conseguiram, após três tentativas frustradas, convencer o comitê organizador dos jogos de que estamos realmente preparados para sediar o evento com maestria.

Os vídeos e discursos apresentados foram todos perfeitos, comentados no mundo todo, mas não podemos esquecer que este foi o menor dos problemas. É preciso tornar tudo aquilo realidade. Para isso, é preciso, antes de qualquer coisa, tomar consciência de que estamos muito longe do que prometemos entregar, que temos problemas nos quesitos mais básicos. Antes de estádios, parque aquáticos, vilas olímpicas e tudo o mais, precisamos melhorar muito em segurança, educação e saúde. Sem isso, não serão belos estádios e instalações magníficas e grandiosas que farão a escolha do Rio ter valido à pena.

E não é somente isso, temos que aprender a responder uma pergunta simples: o que fazer com tudo o que for construído quando os jogos acabarem? Diversas cidades pelo mundo que já sediaram os jogos, consideradas muito mais desenvolvidas que o Rio, hoje têm em suas instalações olímpicas grandes obras de concreto que tem história, mas não tem presente - estão sem uso algum. A princípio, o brasileiro tem uma criatividade muito maior do que qualquer outro país do mundo, o que me leva a crer que sempre descobrirão uma maneira de utilizar tudo o que for criado, mas aí me lembro do Pan de 2007 - também no Rio - que tem hoje diversas instalações, como o Parque Aquático Maria Lenk, que está sem uso algum.

Enfim, o trabalho está apenas começando, e ainda temos muito que fazer antes de poder comemorar. Mas tenho certeza, será uma festa completamente diferente de todas as outras, e fará os brasileiros sentirem ainda mais orgulho do seu país. Até lá!

19set/091

O Dia Internacional da DEMO-cracia: Mais uma oportunidade de reflexão sufocada

Estou a semana toda tentando escrever sobre o Dia Internacional da Democracia, que aconteceu no último dia 15/09, e seus desdobramentos (em sua maioria contraditórios e até bizarros) no Brasil, mas muitos outros assuntos tomaram conta dos meus pensamentos, e acabou não saindo nada. Só pra não dizer que eu não falei nada sobre esse assunto, nesse dia eu refleti bastante sobre o significado da Democracia no Brasil, e cheguei a uma conclusão (na verdade a teoria original não é minha, é do meu pai, mas ele não vai se importar se eu usar): a DEMO-cracia brasileira se escreve assim mesmo, separado e com ênfase no DEMO, pois esta é exatamente a forma reduzida do nome que deveria ser dado aos nossos governantes, pois esses DEMOs infernizam nossos ouvidos e nossas vidas com suas idéias estapafúrdias e irracionais, com suas declarações de desprezo à opinião pública, a repressão dos que são contra eles e tudo o mais. Um fato que me marcou nesse dia foi o discurso do presidente do Senado, Sen. José Sarney, onde ele diz que a mídia "é a inimiga nº1 do governo", que joga contra eles, ditos representantes do povo e, consequentemente, contra o povo.

Quando ouvi isso, e me recordei que eles são eleitos por nós, para nos representar, confesso que me senti muito mal. Se fomos nós que escolhemos estes DEMOs para nos representar, o que podemos querer? Sombra e água fresca, e claro, uma vaguinha no funcionalismo público, para agirmos como eles. Não é de se espantar então que os concursos públicos sejam muito mais concorridos que qualquer vestibular, que nossos jogadores de futebol sejam muito mais reverenciados do que nossos cientistas, escritores, intelectuais, que haja tantas invasões de terra, passeatas e greves para reivindicação de dinheiro direitos, menores jornadas de trabalho, auxílios assistenciais e tudo o mais. Quando falo isso sempre me vem à cabeça a seguinte questão: será que não são eles que estão certos? Eu trabalho 10 horas por dia, se considerarmos somente os dias úteis, passo metade do ano trabalhando para pagar impostos, ainda não tenho casa própria, sítio ou algo do gênero, tenho muito mais obrigações do que direitos, e sou excluído de quase todos os benefícios criados pelo governo.

Se ao invés disso eu colocasse um boné vermelho na cabeça, não fizesse nada da vida e ficasse só gritando e fazendo algazarra, eu ganharia um "salário" do governo, através de todas as "Bolsas qualquer coisa", poderia quebrar tudo o que eu quisesse que não poderia ser preso, pois é uma manifestação popular, poderia invadir fazendas e terras já cultivadas sem ser incomodado, ganharia essa terra sem nenhum imposto, taxa, contribuição e qualquer coisa, poderia vender livremente e ainda não pagaria imposto, pois é fruto de doação, e ainda não precisaria me preocupar com segurança, pois como eu não trabalho, sou pobre e não vou ser assaltado. Ou, se eu tivesse mais coordenação motora, poderia virar jogador de futebol... que maravilha! Não precisaria me preocupar em estudar, bastava aprender a falar que "o time jogou bem, o professor passou todas as instruções muito bem, e o negócio é correr atrás dos três pontos", a aparência também pouco importa, não precisaria ter passado cinco anos da minha vida me machucando com aparelhos nos dentes, nem nada, e seria amado e idolatrado por todos, desejado por todas, e ganharia em um ano muito mais do que já ganhei até hoje. Será que eu realmente agi certo tendo me preocupado em estudar, cuidar da aparência, ter um trabalho, pagar todos os meus impostos, e ainda assim continuar visto pelo próprio governo como vilão?

Se for disso que gostamos, realmente os que estão no poder hoje são os representantes ideais. Infelizmente, esses mesmos que foram eleitos por nós criaram diversos mecanismos de manipulação e aquietação da população que isto é o melhor que a maioria consegue ver. Não investem em educação, pois quem estuda mais se torna mais crítico, menos sugestionável; não investem em saúde, pois assim reduzem-se muito as promessas de campanha, os escoadouros para desvios de verba; não se investe em infra-estrutura, pois isso traz maiores investimentos privados, que incentivam a qualificação da mão-de-obra, melhora a qualidade de vida das pessoas e diminui a dependência do governo; e por aí vai. É, depois de tudo isso entendo porque o governo não fez muito alarde para comemorar o Dia da DEMO-cracia, falando muito no assunto, faria o povo pensar, e isso é a última coisa que o governo quer, um povo que pensa e questiona.

11set/090

Crise econômica?!? Não não, aqui é o país da crise política

Era o ano de 2008, o povo brasileiro assistia pela televisão mais um capítulo da interminável novela das crises políticas. Naquela época, Arlindo Canalha Chinaglia presidia a Câmara dos Deputados, e tinha um pequeno problema (bastante comum entre as autoridades brasileiras), a língua era muito rápida, mais rápida até que o próprio pensamento, e saía falando coisas para todos os lados. Na grande maioria das vezes, acabava mudando de opinião, pois fazia ataques ao governo, à oposição, e causava muitos mal-estares, trancamentos de pautas, e tudo o mais.

Foi então que, no mês de setembro, ouviu-se um estrondo que ecoou em todo o mundo, vindo dos EUA (como sempre). A bolha imobiliária havia estourado, uma tragédia mais do que anunciada havia finalmente ocorrido. Primeiro, os bancos Freddie Mac e Fannie Mae decretaram falência, e foram amparados pelo governo, que estatizou ambos. Não não, eu não errei no texto. Os EUA, a maior economia do mundo, a mais capitalista, menos intervencionista e, segundo eles, o modelo de sociedade capitalista e liberal, teve de intervir no mercado financeiro, seu principal pilar, para evitar um colapso do país. Coitados, já haviam perdido o status de "os belicamente mais preparados, os inatingíveis" quando, há exatamente 8 anos, eram atacados ferozmente em seu território, tendo como bombas seus próprios aviões, seus cidadãos, e como alvos seus maiores símbolos do capitalismo e do governo. Agora, perdiam seu status de economia menos intervencionista. (Isso deve ter doído mais do que a derrota da Argentina para o Brasil no último sábado). E não parou por aí, aos poucos todo o sistema financeiro daquele país foi se desfazendo, como um castelo de areia quando atingido por uma onda do mar. E essa onda começou a se alastrar por todo o mundo, a Europa se afundou em crise, a Ásia começou a tremer, e a América do Sul... bem, já estava tremendo como sempre, com seus presidentes bizarros extravagantes fazendo seus discursos inflamados, brigando internamente com seu povo rebelde, tentando destruir o pouco que ainda resta de dignidade em seus países.

No Brasil não era diferente, aquela novela se seguia normalmente. O nosso presidente - como todo molusco, muito entendido de mar - vai a público dizer que "o Tsunami que atinge os países desenvolvidos vai chegar aqui como uma reles marolinha". Aos poucos, a 'marolinha' se aproxima, e vai-se mostrando maiorzinha do que o previsto, passa a tomar mais atenção do noticiário do que as crises políticas, e o crédito começa a secar. Com ele, diminui também o consumo, devido também ao medo do futuro que passa a povoar a mente dos cidadãos. Então o governo barbudo lança mão de diversas medidas para tentar reaquecer a economia, ainda sem mudar o discurso de que não era nada além de 'marolinha'. As principais delas foram desonerações tributárias pontuais em alguns segmentos da produção. Aos poucos as vendas iam aumentando, mas ainda assim os indicadores mostravam sinal de queda, os sinais vitais estavam baixos, o desemprego aumentava, a inflação caía vertiginosamente, chegando até mesmo à deflação, e o quadro de recessão se instalava. Assim, começou uma queda acentuada na taxa básica de juros, a SELIC, para baratear o crédito e incentivar o consumo.

No mesmo período, começam a aparecer novos personagens na novela política, a doença da ministra/pré-candidata Dilma Rousseff, as idas e vindas do vice-presidente ao hospital no combate à mesma doença, as discussões sobre o pré-sal, um breve comentário sobre a proposta que tramitava na câmara para a aprovação do 3º mandato - rapidamente censurado da mídia - e, finalmente, a eleição do senador José Sarney para a presidência da casa. Aí a trama muda completamente, a novela fica a cada dia mais interessante. Negociações duvidosas, nepotismo exagerado (até mesmo para os padrões do governo), os atos secretos que vieram a público, acusações e processos de todos os lados. Ele, assim como Sansão com seu cabelo, usou a força do bigodão para se defender de todas elas e ser absolvido em todos os casos pelo Comitê de Ética da casa. Ah, sim. Não podemos esquecer da nomeação de Paulo Duque para a presidência da comissão. Um Severino Cavalcanti que tinha um pouco mais de cabelo, mas o mesmo pudor em se lixar para a opinião pública. Este também rendeu vários capítulos, e foi o responsável pela absolvição do "Bigodão do Maranhão". Enquanto isso, todos se esqueciam da crise econômica e voltavam a consumir aos poucos, chegando aos mesmos níveis de antes daquela crise.

É gente, para alguns vai ser duro de ouvir isso, mas te garanto que não vai ser mais do que ter que escrever isso. O Brasil foi o último a entrar na crise e o primeiro a sair graças à crise política e aos altos impostos. É verdade. Graças à crise política, os noticiários não inundaram a população com a crise econômica, o que acabou amenizando seu efeito na confiança do consumidor, não gerou pânico, e não reduziu tanto o consumo. Por outro lado, os altos impostos já fazem parte do cotidiano do brasileiro - não afetam sua decisão de compra - acabaram dando margem de manobra ao governo. Com isso, os preços abaixaram em relação ao normal, e acabou levando o povo de volta ao consumo. É triste, mas é verdade.

2set/091

O Pré-Sal temperando o debate político nacional

O petróleo do pré-sal ainda está lá, a mais de 7 mil metros de profundidade, e já é assunto dominante em todas as esferas de governo. De que interessa o orçamento de 2010, com um aumento de R$ 13,5bi para gasto com pessoal, a criação de 57 mil novas vagas somente na esfera federal, o aumento nos salários dos ministros do Supremo, o renascimento da CPMF, de cara nova. Temos o pré-sal, e é isso o que importa. Isso vai colocar o Brasil em um outro patamar no cenário mundial, vai resolver todos os problemas de educação, acabar com a pobreza, desenvolver a tecnologia no país e, consequentemente, acabar com todas as mazelas da sociedade. Pelo menos é isso o que o governo acha. Mas basta dar uma olhada mais a fundo nas profundezas do "Projeto Pré-Sal de Salvação do Brasil" pra começarem a aparecer os fósseis do meio do caminho.

  • Enquanto buscamos aumentar a nossa produção de petróleo, sinal de poder até o final do século passado, o mundo corre desesperadamente em busca de fontes alternativas de energia, menos poluentes do que o "ouro negro" (hoje já está mais para ouro de tolo). Não demora muito e as ONGs ambientalistas baterão nas portas do Planalto para cobrar explicações, as principais potências do mundo (das quais ainda não fazemos parte só por ter o pré-sal) forçaram a assinatura de novos tratados de Kioto, forçando a redução na emissão de poluentes, e apresentando suas soluções sustentáveis, desenvolvidas enquanto nos preocupamos com a tecnologia pra tirar o óleo lá do fundo;
  • O modelo de concessão desenvolvido é extremamente atrativo... para o governo. A Petrobrás será dona de todas as reservas e, portanto, receberá altos royalties das operadoras, que será dividido entre todos os Estados da federação, em uma proporção que ainda está em discussão. Além disso, será criada uma empresa -  a Petro-Sal -  que deverá, obrigatoriamente, ter no mínimo 30% de participação nos consórcios formados para a operação dos poços. Até aí tudo bem, mas o principal ponto - ao meu ver - que mostra o interesse que os possíveis investidores terão vem agora: todo o investimento em tecnologia, tecnologia, pessoal e qualquer outro que seja necessário, será de inteira responsabilidade do operador. E o retorno será feito através do repasse de barris de petróleo, com limites pré-estabelecidos em contrato, ou seja, não importa se ultrapassarem todas as metas e estimativas iniciais, vão receber um máximo do contrato, e o resto vai para a União;
  • O início da produção desse óleo necessitará de um grande investimento por parte da Petrobrás, o que exigirá um movimento de capitalização da empresa - em um volume, como sempre, nunca visto na história desse país. Para isso, a União está anunciando o aumento de US$50bi no capital da empresa, que será feito através da cessão do direito de uso de 5 bilhões de barris de petróleo, que serão produzidos no pré-sal, a um valor pré-estabelecido, que será revisto a cada 24 meses. Havendo aumento no valor, a Petrobrás deverá pagar à União a diferença. Em contrapartida, para os minoritários (incluindo-se aí quem possui ações compradas com recursos do FGTS) fazerem valer a Lei das S.A.s, terão de aportar o capital necessário para manter suas participações percentuais em dinheiro, não podendo ser feita a transação com títulos do tesouro - outra opção estudada pelo governo para pagar sua parte - nem o saldo do FGTS;
  • O valor recebido pelo governo através da Petro-Sal será direcionado para um Novo Fundo Social, e será destinado no combate a pobreza, educação e desenvolvimento científico e tecnológico. Porém, a destinação dos recursos será determinada pelo Congresso Nacional.

Resumindo, se eu fosse este governo, com o idealismo partidário de socialista, e um coração de capitalista, também quereria aprovar esse projeto em caráter de urgência, para poder aproveitar os lucros o quanto antes. Não podemos esquecer que ano que vem é ano de eleições presidenciais, e a situação precisa de um trunfo sobre os demais candidatos para suportar as fracas opções que possui como candidato. Até meados do ano passado, não havia sombra de dúvidas de que a Dona Dilma seria eleita, pois a popularidade e a confiança no governo estavam altíssimas. Mas hoje toda e qualquer promessa de "dinheiro fácil" é bem vinda para garantir uns votos a mais. Há ainda o fator psicológico, se não for aprovado em caráter de urgência, oposição e opinião pública irão refletir sobre a proposta, e perceberão que ela é, no mínimo, duvidosa. Como nunca somos questionados (embora vivamos em uma democracia) nos resta esperar ansiosamente pelo desfecho dessa história, mas já vou adiantar uma coisa, quem vai pagar essa conta toda sem poder usufruir dos lucros, mais uma vez, seremos nós.