Ai ai ai… Agora fiquei com medo mesmo!
Bom, que estamos cercados de loucos psicopatas, todos sabemos, mas sempre preferimos acreditar que são loucos "do bem", apenas cães que ladram, mas não mordem. Pois é, até hoje pela manhã também pensava assim, mas quando ouvi na rádio, indo para o trabalho, que o presidente Chávez havia dito neste domingo para que população e militares se armem para defender o país contra a vizinha Colômbia, um calafrio passou pelo meu corpo. Foi a primeira vez desde que esse aspirante a Fidel Castro assumiu o poder que tive medo do tamanho da besteira que ele pode fazer. Pensando rapidamente, não vemos aquele país (com tamanho de apenas alguns Estados brasileiros) como uma força que possa provocar algum impacto maior que alguns estalinhos. Mas uma reflexão mais profunda mostra que não é bem por aí.
Voltando um pouco no tempo, há alguns anos, a Venezuela de Chávez assinou acordos militares que aumentou razoavelmente seu poder de fogo. Poucos mais de um ano atrás, tomou de assalto os poços e as refinarias de petróleo, passando a ter em suas mãos o controle de grande parte do recurso utilizado em todo o mundo. Só este último fato já é suficiente para deixar-nos alerta. Imaginem se ele resolve, de uma hora pra outra - como de costume - parar de vender seu petróleo... Isso traria um impacto no mercado mundial (acredito eu) ainda nem calculado, mas de proporções gigantescas, com força para abalar novamente a economia como um todo, ainda mais no momento de fragilidade que vem enfrentando. Só isso já me dá motivo de sobra para preocupação.
Agora, vamos ao outro lado. A Colômbia de Uribe, por sua vez, não possui nenhuma fonte de recursos preciosa como a vizinha, mas resolveu assinar um acordo militar com os EUA, considerado pelo vizinho Chávez "o inimigo do mundo". Não sei dizer se isso foi feito com intenção de provocação ou não, mas gerou uma tensão que - diga-se de passagem - não é nem um pouco necessária nesse momento, em que estamos nos recuperando de uma grave crise econômica, e estamos finalmente ganhando nosso espaço no mundo. Para piorar um pouco a situação, nosso ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim (que já foi um dos poucos políticos brasileiros que eu admirei, mas estou mudando de idéia), declarou que o Brasil fará o papel de mediador entre os dois países para evitar um conflito.
Acho louvável que sejamos um país que prega a paz, e possui certo poder regional para influenciar nas decisões de nossos vizinhos, mas ultimamente é só o que fazemos. Se o presidente de um país resolve surtar e é deposto, nós mediamos as negociações para que tudo se resolva, se ele resolve voltar e retomar o poder, nós o acolhemos em nossa embaixada e deixamos que ele tome-a pra si, e ainda intermediamos sua conversa com o governo interino para garantir sua volta. Se os vizinhos resolvem se desentender, nós ficamos novamente no meio para apaziguar os ânimos. E enquanto isso, a nossa guerra civil, das grandes cidades, que deixam a polícia acuada, tendo a própria população como sua carrasca, é esquecida, e o país vai cada vez mais pegando fogo, virando uma terra sem lei, onde o justo tem que viver preso e escondido, e os bandidos empunham suas armas e seu poder em praça pública.
Uma opinião sincera de um brasileiro que quer ver seu país realmente inserido no cenário mundial, de forma consistente e como um exemplo de democracia REAL. Vamos primeiro arrumar a nossa casa, limpar a nossa sujeira, tapar os nossos buracos e vencer a nossa guerra, pra depois nos metermos na casa dos outros.
Crise econômica?!? Não não, aqui é o país da crise política
Era o ano de 2008, o povo brasileiro assistia pela televisão mais um capítulo da interminável novela das crises políticas. Naquela época, Arlindo Canalha Chinaglia presidia a Câmara dos Deputados, e tinha um pequeno problema (bastante comum entre as autoridades brasileiras), a língua era muito rápida, mais rápida até que o próprio pensamento, e saía falando coisas para todos os lados. Na grande maioria das vezes, acabava mudando de opinião, pois fazia ataques ao governo, à oposição, e causava muitos mal-estares, trancamentos de pautas, e tudo o mais.
Foi então que, no mês de setembro, ouviu-se um estrondo que ecoou em todo o mundo, vindo dos EUA (como sempre). A bolha imobiliária havia estourado, uma tragédia mais do que anunciada havia finalmente ocorrido. Primeiro, os bancos Freddie Mac e Fannie Mae decretaram falência, e foram amparados pelo governo, que estatizou ambos. Não não, eu não errei no texto. Os EUA, a maior economia do mundo, a mais capitalista, menos intervencionista e, segundo eles, o modelo de sociedade capitalista e liberal, teve de intervir no mercado financeiro, seu principal pilar, para evitar um colapso do país. Coitados, já haviam perdido o status de "os belicamente mais preparados, os inatingíveis" quando, há exatamente 8 anos, eram atacados ferozmente em seu território, tendo como bombas seus próprios aviões, seus cidadãos, e como alvos seus maiores símbolos do capitalismo e do governo. Agora, perdiam seu status de economia menos intervencionista. (Isso deve ter doído mais do que a derrota da Argentina para o Brasil no último sábado). E não parou por aí, aos poucos todo o sistema financeiro daquele país foi se desfazendo, como um castelo de areia quando atingido por uma onda do mar. E essa onda começou a se alastrar por todo o mundo, a Europa se afundou em crise, a Ásia começou a tremer, e a América do Sul... bem, já estava tremendo como sempre, com seus presidentes bizarros extravagantes fazendo seus discursos inflamados, brigando internamente com seu povo rebelde, tentando destruir o pouco que ainda resta de dignidade em seus países.
No Brasil não era diferente, aquela novela se seguia normalmente. O nosso presidente - como todo molusco, muito entendido de mar - vai a público dizer que "o Tsunami que atinge os países desenvolvidos vai chegar aqui como uma reles marolinha". Aos poucos, a 'marolinha' se aproxima, e vai-se mostrando maiorzinha do que o previsto, passa a tomar mais atenção do noticiário do que as crises políticas, e o crédito começa a secar. Com ele, diminui também o consumo, devido também ao medo do futuro que passa a povoar a mente dos cidadãos. Então o governo barbudo lança mão de diversas medidas para tentar reaquecer a economia, ainda sem mudar o discurso de que não era nada além de 'marolinha'. As principais delas foram desonerações tributárias pontuais em alguns segmentos da produção. Aos poucos as vendas iam aumentando, mas ainda assim os indicadores mostravam sinal de queda, os sinais vitais estavam baixos, o desemprego aumentava, a inflação caía vertiginosamente, chegando até mesmo à deflação, e o quadro de recessão se instalava. Assim, começou uma queda acentuada na taxa básica de juros, a SELIC, para baratear o crédito e incentivar o consumo.
No mesmo período, começam a aparecer novos personagens na novela política, a doença da ministra/pré-candidata Dilma Rousseff, as idas e vindas do vice-presidente ao hospital no combate à mesma doença, as discussões sobre o pré-sal, um breve comentário sobre a proposta que tramitava na câmara para a aprovação do 3º mandato - rapidamente censurado da mídia - e, finalmente, a eleição do senador José Sarney para a presidência da casa. Aí a trama muda completamente, a novela fica a cada dia mais interessante. Negociações duvidosas, nepotismo exagerado (até mesmo para os padrões do governo), os atos secretos que vieram a público, acusações e processos de todos os lados. Ele, assim como Sansão com seu cabelo, usou a força do bigodão para se defender de todas elas e ser absolvido em todos os casos pelo Comitê de Ética da casa. Ah, sim. Não podemos esquecer da nomeação de Paulo Duque para a presidência da comissão. Um Severino Cavalcanti que tinha um pouco mais de cabelo, mas o mesmo pudor em se lixar para a opinião pública. Este também rendeu vários capítulos, e foi o responsável pela absolvição do "Bigodão do Maranhão". Enquanto isso, todos se esqueciam da crise econômica e voltavam a consumir aos poucos, chegando aos mesmos níveis de antes daquela crise.
É gente, para alguns vai ser duro de ouvir isso, mas te garanto que não vai ser mais do que ter que escrever isso. O Brasil foi o último a entrar na crise e o primeiro a sair graças à crise política e aos altos impostos. É verdade. Graças à crise política, os noticiários não inundaram a população com a crise econômica, o que acabou amenizando seu efeito na confiança do consumidor, não gerou pânico, e não reduziu tanto o consumo. Por outro lado, os altos impostos já fazem parte do cotidiano do brasileiro - não afetam sua decisão de compra - acabaram dando margem de manobra ao governo. Com isso, os preços abaixaram em relação ao normal, e acabou levando o povo de volta ao consumo. É triste, mas é verdade.