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15nov/090

O apagão é nosso! E parece que ainda vai ser por um longo tempo…

Essa semana enfrentamos mais um episódio que demonstra o descaso do governo com o bem estar e a segurança da população: um apagão elétrico que deixou 18 estados às escuras, em alguns casos por até 5 horas. Ok, isso já ocorreu antes, não é novidade deste governo, eu sei, o ocorrido em 2001 foi ainda pior, pois deixou regiões por mais de um dia sem energia. Não é isso que estou questionando, mas sim a forma como a situação foi conduzida. No anterior, a causa foi a falta de capacidade de produção de energia, unida a uma época de muita seca, onde os reservatórios ficaram praticamente secos, e simplesmente não houve como fornecer energia suficiente para suprir as necessidades do mercado. Porém, tão logo o serviço foi restabelecido, o governo foi a público explicar as causas do incidente e anunciou um plano para expansão da capacidade de produção de energia para que não voltasse a ocorrer.

É aí que está o problema. No caso dessa semana, a causa não foi a deficiência na geração da energia, pois há inclusive uma sobra de energia que é exportada para outros países. O problema foi justamente na transmissão e distribuição dessa energia toda para os usuários. Até aí, tudo bem, afinal foram criadas novas usinas, mas não houve o investimento necessário para ampliação da rede de transmissão... ah, não é isso? O senhor ministro Edson Lobão disse que as linhas de transmissão existentes são suficientes? Então não entendi, se temos usinas suficientes e linhas de transmissão suficientes e que funcionam perfeitamente, o que pode ter ocorrido?

Esta é a pergunta que não quer calar. Cada um diz uma coisa diferente, para o ministro das minas e energia (que por sinal não entende muito do assunto) o problema foi um raio que interrompeu a trasmissão, para o presidente de Itaipu (pobre coitado que não sabe nem o que faz lá, afinal era apenas um deputado estadual no PR) não foi culpa dele. Já para os técnicos do INPE, que monitoram todas as manifestações elétricas que ocorrem no país, havia sim uma tempestade com raios, porém que caíram a pelo menos 2 km das linhas de transmissão. E ainda, os professores de engenharia das mais renomadas universidades brasileiras, mesmo que um raio caísse sobre as torres de transmissão, não teria potência suficiente para interromper o fluxo de energia.

Bom, opiniões divergentes podem acontecer, mas pelo menos o governo está trabalhando com a hipótese de raios nas linhas, e o caso está encerrado, como o sr. ministro falou, afinal não há como lutar contra a natureza e não há nada a fazer por que a luz voltou, correto? Aí é que vem o que mais me deixa intrigado, o presidente, sr. Lula Molusco da Silva, diz que o caso não está encerrado pois o ministro está errado. Peraí, o presidente mais uma vez não concorda com seu ministro? Então por que raios que esse ministro está aí, se o que ele fala não vale? Sr. presidente, se o Lobão não sabe o que diz, não seria melhor trocar de ministro?

Bom, como fica esse dito pelo não dito, provavelmente nada será feito. E do jeito que no governo ninguém concorda com ninguém, principalmente o presidente e seus ministros, nós ainda vamos ter muitos apagões de energia, de água, de educação, de saúde, de segurança, apagão aéreo, e por aí vai. E não é porque já vivemos vários desses que vamos deixar de continuá-los tendo. Só haverá um jeito de não termos mais tantos apagões, acabando com o apagão moral que existe nesse país. Espero que não tenhamos mais um apagão político no ano que vem, quando estivermos frente às urnas para escolher nossos governantes pelos próximos anos.

11set/090

Crise econômica?!? Não não, aqui é o país da crise política

Era o ano de 2008, o povo brasileiro assistia pela televisão mais um capítulo da interminável novela das crises políticas. Naquela época, Arlindo Canalha Chinaglia presidia a Câmara dos Deputados, e tinha um pequeno problema (bastante comum entre as autoridades brasileiras), a língua era muito rápida, mais rápida até que o próprio pensamento, e saía falando coisas para todos os lados. Na grande maioria das vezes, acabava mudando de opinião, pois fazia ataques ao governo, à oposição, e causava muitos mal-estares, trancamentos de pautas, e tudo o mais.

Foi então que, no mês de setembro, ouviu-se um estrondo que ecoou em todo o mundo, vindo dos EUA (como sempre). A bolha imobiliária havia estourado, uma tragédia mais do que anunciada havia finalmente ocorrido. Primeiro, os bancos Freddie Mac e Fannie Mae decretaram falência, e foram amparados pelo governo, que estatizou ambos. Não não, eu não errei no texto. Os EUA, a maior economia do mundo, a mais capitalista, menos intervencionista e, segundo eles, o modelo de sociedade capitalista e liberal, teve de intervir no mercado financeiro, seu principal pilar, para evitar um colapso do país. Coitados, já haviam perdido o status de "os belicamente mais preparados, os inatingíveis" quando, há exatamente 8 anos, eram atacados ferozmente em seu território, tendo como bombas seus próprios aviões, seus cidadãos, e como alvos seus maiores símbolos do capitalismo e do governo. Agora, perdiam seu status de economia menos intervencionista. (Isso deve ter doído mais do que a derrota da Argentina para o Brasil no último sábado). E não parou por aí, aos poucos todo o sistema financeiro daquele país foi se desfazendo, como um castelo de areia quando atingido por uma onda do mar. E essa onda começou a se alastrar por todo o mundo, a Europa se afundou em crise, a Ásia começou a tremer, e a América do Sul... bem, já estava tremendo como sempre, com seus presidentes bizarros extravagantes fazendo seus discursos inflamados, brigando internamente com seu povo rebelde, tentando destruir o pouco que ainda resta de dignidade em seus países.

No Brasil não era diferente, aquela novela se seguia normalmente. O nosso presidente - como todo molusco, muito entendido de mar - vai a público dizer que "o Tsunami que atinge os países desenvolvidos vai chegar aqui como uma reles marolinha". Aos poucos, a 'marolinha' se aproxima, e vai-se mostrando maiorzinha do que o previsto, passa a tomar mais atenção do noticiário do que as crises políticas, e o crédito começa a secar. Com ele, diminui também o consumo, devido também ao medo do futuro que passa a povoar a mente dos cidadãos. Então o governo barbudo lança mão de diversas medidas para tentar reaquecer a economia, ainda sem mudar o discurso de que não era nada além de 'marolinha'. As principais delas foram desonerações tributárias pontuais em alguns segmentos da produção. Aos poucos as vendas iam aumentando, mas ainda assim os indicadores mostravam sinal de queda, os sinais vitais estavam baixos, o desemprego aumentava, a inflação caía vertiginosamente, chegando até mesmo à deflação, e o quadro de recessão se instalava. Assim, começou uma queda acentuada na taxa básica de juros, a SELIC, para baratear o crédito e incentivar o consumo.

No mesmo período, começam a aparecer novos personagens na novela política, a doença da ministra/pré-candidata Dilma Rousseff, as idas e vindas do vice-presidente ao hospital no combate à mesma doença, as discussões sobre o pré-sal, um breve comentário sobre a proposta que tramitava na câmara para a aprovação do 3º mandato - rapidamente censurado da mídia - e, finalmente, a eleição do senador José Sarney para a presidência da casa. Aí a trama muda completamente, a novela fica a cada dia mais interessante. Negociações duvidosas, nepotismo exagerado (até mesmo para os padrões do governo), os atos secretos que vieram a público, acusações e processos de todos os lados. Ele, assim como Sansão com seu cabelo, usou a força do bigodão para se defender de todas elas e ser absolvido em todos os casos pelo Comitê de Ética da casa. Ah, sim. Não podemos esquecer da nomeação de Paulo Duque para a presidência da comissão. Um Severino Cavalcanti que tinha um pouco mais de cabelo, mas o mesmo pudor em se lixar para a opinião pública. Este também rendeu vários capítulos, e foi o responsável pela absolvição do "Bigodão do Maranhão". Enquanto isso, todos se esqueciam da crise econômica e voltavam a consumir aos poucos, chegando aos mesmos níveis de antes daquela crise.

É gente, para alguns vai ser duro de ouvir isso, mas te garanto que não vai ser mais do que ter que escrever isso. O Brasil foi o último a entrar na crise e o primeiro a sair graças à crise política e aos altos impostos. É verdade. Graças à crise política, os noticiários não inundaram a população com a crise econômica, o que acabou amenizando seu efeito na confiança do consumidor, não gerou pânico, e não reduziu tanto o consumo. Por outro lado, os altos impostos já fazem parte do cotidiano do brasileiro - não afetam sua decisão de compra - acabaram dando margem de manobra ao governo. Com isso, os preços abaixaram em relação ao normal, e acabou levando o povo de volta ao consumo. É triste, mas é verdade.